segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ausência em ponto de partida (sem chegada)



Dói-me a ausência,
o eco que ouço ao pronunciar o teu nome
fere-me os ouvidos,
afoga-me os olhos.

Partiste repentinamente,
levaste a inocência das coisas
deixando comigo apenas o silêncio
de todas as madrugadas que partilhámos
e todos os cigarros que nos uniram.

Sangro dos pensamentos,
morro a todo o instante
procurando reconhecer na língua
o paladar dos venenos que me beijaste,
procurando todas as molduras
que retêm o que de nós restou.

Nada é inválido
neste jogo insano que inventaste,
nada é triste
numa vida em que se nasce apenas para existir.

E eu ceguei para não te ver,
ceguei por te ver,
cairei no chão se voltar a ver-te.

Reflexo Quebrado



Cada olhar traz um beijo,
cada beijo traz uma promessa
e cada promessa vem cheia de nada,
esperanças ilimitadas,
palavras sem significado
mas relíquias para uma vida.

Cada amigo traz um abraço,
cada abraço traz um sentimento
e cada sentimento traz uma tristeza:
ver tantos comboios a partir
e permanecer sempre
à espera de um dia melhor,
mais reconfortante.

Inclinei-me para o abismo
e vi-me reflectida nas águas da fuga
deixando cair uma onda no reflexo,
quebrando-o
de tudo o que alguma vez possa ter sido.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Facadas no tempo

" Um incêndio nas
pegadas desmesuradas
do peso e a àgua
a lambê-lo !
Um cabelo mágico
deserto , acolhe o ido
e conforta .
... Enforcados no fio
do martelo que parte
os vidros de emergência ...
Que miséria se desaqua ...
Todo um motivo
para preencher uma ampulheta
inexistente vazia ...
There'll be blood
... Saudades de quem ?! ... " (Ala Crime)


Saudades de ninguém!
Apenas as memórias silenciadas
em pedras da calçada
quando se olha em direcção ao chão,
porque o caminho em frente assusta
...o medo...
o tempo passa,
os relógios chiam de dor pela manhã
porque também acordar de bons sonhos é amargo,
ao cair da cama para a realidade!
Oh sim, meu irmão pirata,
as lágrimas de mar que bebemos
são abençoadas por cada rum que brindamos
com elas lá dentro,
de cabeça erguida
e coração caído!


com Pedro Ala Crime

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Imaginarium

- Não hei-de morrer com uma garrafa de vinho na mão
e uma caneta no bolso...


Sinto-me febril...
a neblina matinal dá-me náuseas,
adoeci para o mundo,
morri para ti,
não me esqueci de mim.

Sinto-me febril...
engoli o veneno do teu corpo
e quis curar-me no antídoto dos teus lábios
porque não te quis procurar
mas encontrei-te.

Sinto-me febril...
plantei cobras e fui mordida,
colhi e comi os frutos amargos da Primavera
porque nunca te quis, nunca te tive
mas ordenei que me deixasses.

Já não sinto,
já não escrevo,
nem durmo de olhos abertos
imaginando todos os teus pesadelos

num céu de véu púrpura.