sexta-feira, 6 de setembro de 2013



Fundiram-se
as luzes da ribalta
deste teatro a que chamamos vida:
a ausência virou costas
e o silêncio tomou conta da plateia;
o actor principal,
não sabe mais representar
mas as cortinas não se fecham.

A peça foi adiada
enquanto as lâmpadas são substituidas
e não se ouvem as pancadas de Molière:
até os cartazes das ruas
se desintegraram por falta de conhecimento
e actores inexperientes,
insuficientes,
da matéria da força.

E eu questiono:
Será que o teatro tem de morrer
até o artista se recompor?


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ausência em ponto de partida (sem chegada)



Dói-me a ausência,
o eco que ouço ao pronunciar o teu nome
fere-me os ouvidos,
afoga-me os olhos.

Partiste repentinamente,
levaste a inocência das coisas
deixando comigo apenas o silêncio
de todas as madrugadas que partilhámos
e todos os cigarros que nos uniram.

Sangro dos pensamentos,
morro a todo o instante
procurando reconhecer na língua
o paladar dos venenos que me beijaste,
procurando todas as molduras
que retêm o que de nós restou.

Nada é inválido
neste jogo insano que inventaste,
nada é triste
numa vida em que se nasce apenas para existir.

E eu ceguei para não te ver,
ceguei por te ver,
cairei no chão se voltar a ver-te.

Reflexo Quebrado



Cada olhar traz um beijo,
cada beijo traz uma promessa
e cada promessa vem cheia de nada,
esperanças ilimitadas,
palavras sem significado
mas relíquias para uma vida.

Cada amigo traz um abraço,
cada abraço traz um sentimento
e cada sentimento traz uma tristeza:
ver tantos comboios a partir
e permanecer sempre
à espera de um dia melhor,
mais reconfortante.

Inclinei-me para o abismo
e vi-me reflectida nas águas da fuga
deixando cair uma onda no reflexo,
quebrando-o
de tudo o que alguma vez possa ter sido.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Facadas no tempo

" Um incêndio nas
pegadas desmesuradas
do peso e a àgua
a lambê-lo !
Um cabelo mágico
deserto , acolhe o ido
e conforta .
... Enforcados no fio
do martelo que parte
os vidros de emergência ...
Que miséria se desaqua ...
Todo um motivo
para preencher uma ampulheta
inexistente vazia ...
There'll be blood
... Saudades de quem ?! ... " (Ala Crime)


Saudades de ninguém!
Apenas as memórias silenciadas
em pedras da calçada
quando se olha em direcção ao chão,
porque o caminho em frente assusta
...o medo...
o tempo passa,
os relógios chiam de dor pela manhã
porque também acordar de bons sonhos é amargo,
ao cair da cama para a realidade!
Oh sim, meu irmão pirata,
as lágrimas de mar que bebemos
são abençoadas por cada rum que brindamos
com elas lá dentro,
de cabeça erguida
e coração caído!


com Pedro Ala Crime