sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Pontos Desalinhados



A vontade é incandescente
e de passagem nas auroras boreais
que acolhem mendigos ao luar
quando desconhecemos o infinito

O sentido dos pontos cardeais
foi trocado noutros ímanes
indefinidos,
perdidos, talvez

Mas a leveza
dos pontos de interrogação
nunca é elaborada conscientemente
porque não há certeza
que defina o nascimento e a morte.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

I



A poesia consome-me de escrever,
rouba-me a mente e a caneta
transforma-se em mim
e foge para o meu caderno
apenas deslizando.

Um cinzeiro à espera,
uma luz rasgada,
um suspiro em quebra,
uma folha queimada
e um vento que mastigo.

As minhas mãos falam,
os meus olhos respiram;
enquanto fumo um cigarro,
pratico o gesto ambíguo
da vida e da morte.

Nem tudo
tem de ser coerente,
até quando mergulho na minha mente
e desenho o surreal,
posso curvar na vertical.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Rumo à Tempestade



A percepão do horror
tem vindo a entranhar-se em mim
tanto que sinto unhas de desespero
a fincarem-me a carne
nos maiores momentos de distracção.

Há uma boca que me chama
e outra que me cala;
por vezes são a mesma boca
ou até talvez o meu subconsiente
a ordenar-me atenção.

A voz é imperceptível
e tem vindo a desvanecer-se,
como uma tempestade
que percorre oceanos
na espera de atenuar a sua fúria,
acabando apenas como uma simples brisa.

Horripilantes são as palavras
quando se emaranham na tempestade
enquanto essa ainda não tem nome,
nem morada,
ou mesmo mares
que a façam parar de rodopiar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cidade Morta




As linhas da minha mão
assemelham-se a estradas
mas nelas,
vejo pouco chão que possa pisar
e as passadeiras flutuam
lânguidas como o vento

A minha cidade está morta;
de cada casa,
de cada detalhe urbano,
restam apenas sombras
que não sei distinguir

Quanto tempo passou,
quantos relógios morreram,
quantos corações ressequíram?

Quero degolar os meus pesadelos
até acordar e sentir frio
para me encolher
e adormecer novamente.

Ouvi...
o leve sopro de uma porta a abrir;
então, senti a tristeza do adeus
por saber que não haveria retorno
para a minha cidade que morreu.